sexta-feira, março 07, 2008

Cavalheiro em lágrimas

Desce do cavalo e brilha a bota

E os estribos pendurados sob a sela

Com sua elegância, sempre a mesma

Procura carinhoso pelo amor


Da beleza que essa busca já denota

O insucesso de quem perde a sua bela

A tristeza meio lenta, meio lesma

Suportando as dores fortes do amor


Lacrimeja na gravata, o janota

Relembrando o gosto bom do beijo dela

Com poemas, já gastara mais de resma

Coloridos com o seu lápis de cor



quarta-feira, março 05, 2008

Nacitura

Na homeopatia das micoses

O feto, esse ser inda não feito

Alejado no caminho mais estreito

Na senda homeopática das doses


Hematomas, tumores como nozes

Afável aconchego de seu leito

Mantendo um coração fora do peito

E um reumatismo idoso das artroses


Mudança antitética da idade

Um pulmão externo na narina

Sentir sabor de morte em navidade


Agulhas na veícula muito fina

Buscando no poder dessa vontade

Direito de permanecer menina.


sábado, março 01, 2008

A Nitidez dos quadros

No arco capaz de um cosseno

Um compasso que desanda na manobra

Inocula no papel o seu veneno

Que tirara da fosseta de uma cobra


A mão do desenhista mais sereno

Aquela no qual tudo se desdobra

Impõe no seu quadrinho mais moreno

O preto que em sua pelo ainda sobra


Velho experiente, barba branca

E branca a tinta usada no pincel

Comprada certa vez na zona franca

Usada até para pintar o céu


Pintou uma maça, uma mocinha

E fez com um traçado mais antigo

Pra vida não ser chata como a minha

Pintou pra si o próprio inimigo


Pintou aquilo tudo que não tinha

Um quadro bem mais belo do que digo

Mais belo que qualquer palavra minha

Eu tento expressar e não consigo


Apagava, repintava, dava enfoque

A tinta estava fresca e ainda fria

Seis dias inteiros de retoque

Pra descansar no tal sétimo dia


Descanso eterno, digo, meu Sherlock

Depois de tudo pronto, já dormia

Levou na testa o tiro de uma Glock

Pintor, coitado, se descoloria...