quarta-feira, outubro 31, 2007

Depoimentos à guisa de valsinha para cavalheiros

Eis aqui depoimentos já escritos para meus amigos no tal do orkut, que tentei imprimir um ritmo de valsa. Com insucesso total, óbvio.

(Danilo)
Você é o moço Danilo
Nem sempre tranqüilo
Vai pra Alles Beer
Você é a moça Danila
Que dá a mochila
Para eu sair

Você pirua Infantaria
É a alegria
Do seu pelotão
Você é um cara muito ativo
Com o qual convivo
Como fosse irmão

Você dorme ali pertinho
É o meu vizinho
E eu sou seu fã
Porque daqui a pouco tempo
Estará ao vento
Da temida AMAN!

(Linnus)
Você é um negão valente
É inteligente
Sabe investir
Você sabe montar um carro
Sabe ir pro barro
E depois polir

Você domina a Asa Branca
Você abre e tranca
A porta do saber
Você que escolheu a vida
Trabalha com bebida
Pra depois beber

Você é pai das criaturas
Mais lindas e puras
Que Deus fez criar
Você é pai dessas sobrinhas
Tão pequininhas
Do meu Ceará

Você também é a estrada
É meta buscada
Caminho conduz
Você é meu melhor exemplo
Você é um templo
Onde eu busco a luz!

(Monnerat)
Você é um grande desenhista
É uma coisa mista
Coisa boa e má
Você é um cara criativo
Por isso, convivo
Com o Monnerat

Você já é meu companheiro
Nesse ano inteiro
De preparação
Mais companheiro nós seremos
Pois dividiremos
O mesmo pelotão

Você é um ser que considero
E que eu espero
Ter no amanhã
Como um presente amigo
Em qualquer perigo
Que eu passar na AMAN!

(Feitosa)
Você é MatBeliano
Você tem um plano
A executar
Você é o homem que relaxa
Que espalha graxa
Faz ela brilhar

Você, guerreiro da cautela,
Mexe na biela
E no caminhão
Você trabalha no pesado
E em um blindado
Faz manutenção

Você em breve um cadete
Vai deixar lembrete
Em qualquer papel:
"Mamãe não vou voltar pra casa
Vou pro Manda-brasa
E sou MatBel!"

(Alisson)
Você é jogador de hand
Disso não depende
Clima e lugar
Você também joga CS
E não obedece
Quem não quer jogar

Você talvez jogue porrinha
Junto da vizinha
Ou quem sabe não
Você já joga tudo errado
Tiros com teclado
Futebol com a mão

Eu sei, você não tem pistola
E se chuta a bola
Vai ficar oval
Jogando o jogo da vida
Que é decidida
No placar final...

(Figueiredo)
Você é um grande despautério
Nunca fala sério
É imitação
Você é ovelha clonada
E a mais engraçada
É do Luizão

Você entende patavina
Você é a Dina
De Xambioá
Você é cearense nato
Mas no "mei do mato"
Resolveu morar

Eu não conheço sua história
Nem a sua glória
Nem a sua dor
Mas vejo por cima do muro
Um grande futuro
De um imitador!


(Leonardo Mota)
Você é um cara que não bebe
Turma Heróis da FEB
Homens de amanhã
Você persegue sua meta
E de "bicicreta"
Vai chegar na AMAN

Você pode andar de "mota"
Paga sua cota
Anda de busão
Você torce pro Fortaleza
Sempre, com certeza,
Vai pro Castelão

Você é arataca forte
Que vindo no norte
Para aqui morar
A mão no fogo por ti ponho
Realiza o sonho
De ser militar!

(Felipe Araújo)
Você é um urubuzinho
Sobrevoa o ninho
Para defender
Você é um garoto bom
Que se for pra EFOMM
Irá enriquecer

Você conta muita lorota
Bebe a meiota
E sempre irá beber
Você é como um caramujo
Da lagoa cujo
Lema é vencer

Você não fuma o careta
Usa roupa preta
Pensa que está nu
Assim é que alegra a gente
É eternamente
O eterno Ururu!

terça-feira, outubro 30, 2007

Parabéns pro bloguê, parabéns pro bloguê...


Após 3 anos de pouca dedicação literária, consigo chegar me arrastando à centésima postagem. E não há como não comemorar esse marco, porque foi o blog que me deu a idéia de quantidade poética que já saiu dessa cachola. Sempre quis ter os números da minha produção, aliás, sempre fui fã de números. Mas digo mais: além da quantidade, o desgraçado do blog ainda me deu estatísticas passíveis de análise, não só de fabricação de poemas, mas também de épocas e sentimentos da própria vida.
O blog foi criado em 31 de outubro de 2004, comemorando seus exatos três aninhos no dia de hoje. É bebê. O primeiro poema fala de merda, como todo o resto, mas nesse caso mais literalmente, e foi realmente escrito no banheiro. Banheiro da casa de Pedro Henrique, o Bart, velho amigo, e ali naquele apartamento da Rua Osvaldo Cruz, postei o primeiro texto, dos cem que até agora apresento. Não sei que diabo ocorreu, mas analisando os gráficos de produção, a época da virada do ano de 2004 para 2005, foi bem produtiva. Nada menos que 30, em dois meses. Segui num ritmo meio irregular, chegando à pausa total em Julho. Férias, óbvio. Não era época mesmo pra me preocupar com essas coisas. Depois dela, começou uma decadência poética total, culminando em 26 de Fevereiro de 2006, quando cheguei à cidade de Resende. Cidade de fato, pouco inspiradora porque fez ficar parado todo esse tempo. Só voltei a dar atenção ao meu blogzinho de estimação, agora, em Outubro de 2007.
Depois de todo esse estudo estatístico, concluo que: foi bom. Hoje leio isso tudo como se nem eu mesmo fosse mais o autor. Critico, cuspo, não gosto, discordo, concordo, me apaixono e reapaixono, tanto por dona Lica quanto pela guria dos sonhos meus. Sem falsa modéstia, gosto desse tipo de literatura que foi produzida. Crua. Vejo o quanto já fui um pivete mongol e quanto já fui bem mais velho do que sou hoje. Cada um dos 100 textos, escritos por 100 pedros roneys diferentes, da forma mais pedroronesca de se amar. Fora os depoimentos nas tecnologias de orkut (em breve postarei), as cartas de colégio, de correio, e as várias idéias que acabaram em pizza, ou melhor, no pão-pizza da tia do guaraná. Ainda lembro quando tudo começou, quando o menino andava tocando aquelas músicas pelas alamedas da casa amarela. Mas isso não volta mais. Ninguém consegue permancer o mesmo depois de 100 dessas. Ninguém.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Sejamos!

Esse texto é o texto de inauguração do blog http://www.foedafacies.blogspot.com que estou fechando, ou melhor, abrindo com um velho amigo, amigas também meio que antigas e outros caras que ainda não conheço muito bem. Parece pouco promissor, admito, mas é de onde menos se espera..., que daí que num sai nada mesmo.

E ei-lo! :


Numa aula de matemática da quinta-série, o menininho ouvia atento os algebrismos. No meio deles, sem pedir licença nem permissão, rasgando a lógica do problema exposto no quadro negro, na verdade verde - uma frase. Resolver problemas é uma simples questão de habilidade ou tempo, mas gerar novos problemas ou olhar os antigos com um ângulo novo requer imaginação criadora, e é isso que contribue para o progresso da ciência (EISTEIN, 19??). Me abstive da gramática e das aspas porque não quero conceder ao grande físico palavras que não sejam suas, mas que foram essas palavras usadas e esse o cara escolhido como autor, isso foi, conforme disse o mestre. E o mestre que falo, foi professor nosso, Geraldo Macêdo, com acento circunflexo no e, escrito com sua mão canhota.
E mesmo querendo a todo custo negar a autobiografia, o moleque é-me eu mesmo, admito. Na época, enxadrista de primeira linha para a idade, bom para números; hoje, um nada. Nem sei como o tempo conseguiu incutir em mim dificuldades de aprendizagem, quer dizer, até sei, mas não vem ao caso contar aqui o que já são outros cem mil-réis. Não lembro mais da indução matemática dos livros vermelhos que o mestre me indicou, mas lembro perfeitamente da frase atribuída ao gênio de cabelos arrepiados e língua pra fora. Isso porque há certas coisas que marcam a vida e a lembrança da gente, mesmo sem ter um sentido específico. Um quadro abstrato com a moldura enparafusada na parede da memória.
Quem sabe seja nossa intenção isto: pintar esses modernismos nas mentes mais atentas da atualidade, mesmo que depois seja apagada com cal. Apesar de levar a escalação da seleção brasileira de 1994, o poema Cante Lá que eu Canto Cá e uma dúzia de partidas de xadrez na memória, ainda me sobra um abismo de conhecimentos vagos, que existem e não detenho, outro detém. Por isso que nós reunimos aqui, alguns amigos de longa data, outros de data nem tão longa assim, pra juntar os abismo que se chamam, que gritam com os ecos dos próprios abismos. Abyssus abyssum invocat. Para comungarmos juntos do mesmo pão, pão de Ló. Quem sabe não sirva pra alimentar jumentos, mas somos um pouco menos que isso, somos gente. Ou pelo menos, sejamos!